Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

aquarela



as cores, vermelho, laranja, amarelo
bem clarinhos, que o vento fazia aquarela
por cima o amarelo, por cima o vermelho, por cima o laranja
por cima o vermelho, por cima o amarelo quando ele apressava
e o sol deixava ainda mais, cor de saudade.
soprava a cortina e minhas palavras,
e ia dizer bom dia.

gostava que era meu, aquele canto
e de todos (,) os cantos dos passarinhos
era de um canário, o de domingo, o mais bonito.
com ele ia de carona por toda a casa.
passeava por cima e ninguém me via,

e era quando eu podia viver os melhores segundos.
dali abraçava todas as cores, todos os cheiros e todos os olhos.
e quando vinha no peito uma vontade de sentir,
imagina só, caía justo na areia, já fora de casa, já perto do mar.


...


dias doces pra você, me diz um passarinho.

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008




here, there and everywhere

Terça-feira, 13 de Maio de 2008




assim sorrindo,
como se fosse a primavera

Domingo, 11 de Maio de 2008

Literatura infantil



Luizinho e Curupira

Texto: Andrea Veras
Ilustração: André Miyasaki

Conta a história de um garoto chamado Luizinho, que vai
a uma excursão com os amigos da escola. No caminho,
conhece Curupira muito triste, a cidade está invadindo a floresta.
Luizinho vai fazer de tudo para ajudar o novo amigo.

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

carta de (res)sentimento

talvez, um dia com horas a menos
e fazeres a mais.
não deixasse de lado suas meiguices
não deixasse de lado minha chatice,
querendo não te aguentar, quando queria.
era como era. eu gostava, como gostava.

talvez uma noite com prazeres a mais.
prazer de sexo, prazer de toque, prazer de junto
de dois, de ser, de querer, de escuro,
de corpo, de música, de dois.
não era nosso plano e nunca nossa aspiração,
ser um.

e foi.

pegamos com duas mãos
pisamos com dois pés
pensamos com uma cabeça
amamos um coração.
eu o meu.
você o seu.

talvez, então, fôssemos dois,
seria eu pra você e você pra mim.
amaria suas meiguices e sua música,
seu sexo e suas escolhas.
te contaria meu dia
exploraria o seu.

mas sem haver diferença,
não te descubro mais.

antes o vazio das noites
que a tortura dos dias.

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

água e vinho

é totalmente diferente.
frio arrepia, mas não arrepia.
eu sempre sei.
bom mesmo é a surpresa,
beijo na nuca é um arrepio.
arrepio, como conversa no ouvido,
perto disso, é mordida na orelha:
quando os dentes cravam sem cravar
os de cima correm pra frente
os de baixo, um pouco pra trás
e a respiração desce
pelo pescoço
pela pele
pêlo

Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

janeiros

parecia essa mesma, a sina
no primeiro encontro, não-encontro
desde já, era outro que ela olhava
chovia e ele se pôs a dançar.

então, em conversas em comum
descobrira, incomum, alguns gostos.
para ele, ela, tanta personalidade:
doce escrita, vontade de vida, puro verde.
talvez daí, a leveza dos seus passos,
dali, a pureza do coração
talvez sim, a bravura dos seus sonhos
e do mar, a cor da sua pele.

pois, de pronto, o segundo encontro.
desencontro, eles em outros pares
sorriram, desde sempre sorriram:
guardaria pra mim, anos e anos

parecia mesmo assim, no ar
o que ele sentia, ela talvez sentisse
uma vontade de dois, de ter.
danada da vida, ensina.